FEIRA INDIGENA

Qual o motivo de realizar uma FEIRA Indígena? Como era e como é essa Feira Indígena?

Um pouco antes de concluir o século passado, o milênio passado, se iniciou no município de Jacareacanga, algo que já faz parte do Calendário de Eventos do município, bem como do Calendário Escolar, que é a FEIRA INDÍGENA.

Ao ser criada, tinha como principal objetivo, oportunizar aos educando da sede do município, conhecer um pouco mais sobre grande parte da sua população que reside em território denominado como Mundurukania, que hoje se aproxima de 15 mil.

Oportunizar aos alunos, ir até a floresta nas proximidades da cidade, e de lá retirar o material necessário para construir  modelos de habitações indígenas tais como: Casa de barro, casa de buriti, casa com tronco de açaí, casa de palha, casa de varinhas e casa de sapé.

Após buscar  o material necessário, fazer as construções. Os complementos da casa como artesanatos, frutas e comidas típicas, ervas medicinais. Produtos estes, que provem de pesquisas sobre hábitos e conhecimentos indígenas e da busca e coleta realizada pelos próprios alunos.

Muito mais que um evento, a Feira Indígena é uma verdadeira aula prática sobre a Cultura do Povo Munduruku, onde os alunos aprendem muito mais que em um mês inteiro em sala de aula. Normalmente, o evento contava com a duração de 4 dias. Três deles para esse trabalho de coleta de materiais, artesanatos, ervas, frutas, e confecção das casas.

Ao final do terceiro dia, ocorria a abertura oficial com apresentações culturais indígenas apresentadas pelos próprios alunos, e o quarto era o grande dia, onde alunos faziam toda a apresentação do que se via aos visitantes e eram avaliados pelos jurados, além das modalidades esportivas indígenas.

É uma pena que, ao longo do tempo, parece que os verdadeiros motivos de realizar essa feira tem se deteriorado, por vários motivos e algo que em outros tempos foi motivo de deslocamentos de equipe e TV de Itaituba para registrar o evento, hoje, se quer motiva as pessoas do município a participar e prestigiar esse evento.

Creio que para os próximos anos, sejam feitas reflexões a respeito. Ou que o evento deixe de acontecer, ou que seja repensada a forma de realização. Afinal, em um município em que quase a metade da população é Indígena, um evento dessa magnitude, ou se faz bem feito, com objetivos educacionais bem definidos e muito bem organizado ou é melhor que não seja feito.

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SÁBADO TEM AULA?

Sábados de manhã tem aula?

Aula? Sim e Não!!!

Não é em sala de aula… Não precisa vir de farda… Não precisa trazer bolsa, livro, caderno…

É uma aula diferente, é uma aula com conversa, data show, enxada, pás, pincéis, tintas, vassouras, rodos, serrote, martelo…

É o projeto Horta Escolar e Meio Ambiente plantando muito mais que árvores e verduras, plantamos conhecimentos, exercício de cidadania, e muito mais.

EDUCAÇÃO INDÍGENA MUNDURUKU

Simplesmente um grande desafio…

imagine você leitor. A tarefa de ensinar já tem seu nível de dificuldade. E para ensinar pessoas que não falam português?

A tarefa não parece simples, e de fato não é!!!

Mas é um desafio que o Município de Jacareacanga – PA, assim como tantos outros, Brasil afora, precisam enfrentar afim de superar barreiras, superar os obstáculos para levar educação a todos os povos e com o máximo de qualidade possível.

Nas Aldeias Munduruku, as aulas de Educação Infantil, acontecem com Professores Indígenas que ensinam em sua Língua materna. Normalmente professores sem formação acadêmica.

Assim também nas séries iniciais do Ensino fundamental, nem todos os professores tem formação acadêmica e o ensino ocorre em sua maioria em língua materna, porém já introduzindo a língua portuguesa.

Nas séries finais do Ensino Fundamental é que o ensino é predominantemente feito em língua portuguesa com professores licenciados ou em período de estudos de graduação.

No Território Munduruku que pertence a Jacareacanga, a partir do ano de 2010 passou a ser oferecido em três Aldeia Pólos, Aldeia Katõ, Aldeia Sai Cinza e Aldeia Missão Cururu, o Ensino Modular Indígena, que apesar das distâncias, das dificuldades de acesso, cerca de 300 alunos concluíram o Ensino Médio dentro das Aldeias Pólos.

Há de se destacar que mesmo assim, a quantidade de Alunos Indígenas que cursam o Ensino Médio Regular na sede do Município, desde 2004, sempre oscilou de 35% a 45% dos alunos.

Como consequência desse processo, hoje podemos contar com muitos indígenas Munduruku em cursos de formação em várias áreas de conhecimento como Engenharia Florestas, Agronomia, Direito, Farmácia, Antropologia, Gestão Pública, Serviço Social, Pedagogia, Licenciaturas em Letras, Biologia, Matemática, Física, História, Geografia entre outros.

Com essa busca constante de formação por parte dos indígenas, não resta dúvida que em um período não não distante, os mesmos serão auto suficientes em profissionais capacitados para desenvolver seu próprio sistema educacional.

Podemos ressaltar como destaque, Daniel Munduruku, Doutor em Educação Escolar Indígena, Escritor de Livros Infantojuvenis e Palestrantes da Cultura Indígena Munduruku.