DA EDUCAÇÃO, O RELATÓRIO E YALE

No ano de 1828, nos EUA, Universidade de Yale, era lançado um relatório bastante preocupado com o rumo pelo qual a finalidade da educação estava tomando. Em suma, este relatório, assinado pelo corpo docente daquela universidade, tratava de uma guinada bastante radical para aqueles tempos e que viria de fato a acontecer. Uma mudança de visão que poderia levar a humanidade a um patamar inimaginavelmente inferior no sentido de sua capacidade de erudição, intelectualidade, domínio geral das ciências, das línguas, do pensamento e da transcendência. 

 

Passaram-se 191 anos do lançamento do relatório e o que vemos em educação, no sentido estrito da palavra, é realmente uma grave queda de qualidade e abrangência. O ponto fulminante para a queda do sentido de educação, como ela foi criada para ser, está mesmo no ensino superior. Era no ensino superior que se buscava formar o homem para a humanidade e para Deus. O que veio a seguir foi uma educação para direcionar os estudantes para aprenderem apenas um tema; a sua profissão. Trocando em miúdos, sai o ensino abrangente, meticuloso e gradual a respeito do todo, para ensinar o homem uma profissão, de maneira rápida e breve que lhe fecha numa pequena bolha do todo. 

 

De acordo com artigo do site do Instituto Burke, intitulado “O que a nossa educação superior tem a aprender com o Relatório de Yale de 1828?” de Jocinei Godoy; “Quem estuda desse modo acaba por ter sua vaidade inflada achando que sabe de tudo, quando, na verdade, sabe pouquíssimo acerca das coisas tornando-se alvo de chacota e vergonha pública diante dos homens de erudição e sabedoria. O contexto educacional brasileiro de educação superficial normalmente tem formado pessoas com esse tipo de comportamento. Acham que sabem e podem opinar inequivocamente sobre tudo.” 

 

A época do relatório era um tempo de crescimento industrial, onde uma demanda por profissionais especializados também crescia. O setor passa então a pressionar as universidades para que revolucionem o seu sistema, a fim de buscar uma educação profissionalizante, em detrimento daquela que vinha dos séculos anteriores e que visava, como foi dito, a formação humana como um todo. 

 

É claro que esta pressão, com o tempo, somada a sanha revolucionária dos simpáticos da Revolução Francesa, iluminista, acabou sobressaindo-se ao pudor conservador pela manutenção daquilo que era um ganho acumulado. Este fator, que por si só geraria a perda gradual do conhecimento em escala geral mas, ainda somado às más filosofias e às insurgentes correntes teológicas, acabaram por degradar de vez o sentido de educação para os séculos seguintes. 

 

É possível afirmar, categoricamente, que o sistema educacional de hoje, meio que padronizado no mundo todo, mais serve para dar aos povos um tipo de conhecimento direcionado, que visa colocar a massa em uma espécie de “brete intelectual”. Desta forma, o atual modelo de educação serve apenas para satisfazer aos agentes supra nacionais, globalistas e anti-soberânicos, que visam controlar as populações através dos seus respectivos governos em cada país, devidamente alinhados a este propósito.

Há um meio de buscar aquela formação de outrora e superar a atual, e, se faz urgente e necessário buscar. É tendo curiosidade, interesse, humildade e uma busca sincera pela verdade. Não esperar que um agente público ou o governo o faça por nós, porque nunca o farão! A grande guerra dos nossos dias é contra o relativismo endêmico que coloca tudo dentro da mesma caixa. Fora desta caixa está a profundidade da verdade contente em nossa alma. Uma verdade que já foi revelada por Deus e que está a nosso alcance. 

 

Em Cristo entregue a proteção da Virgem Maria.

DA LINGUAGEM

Em meus textos busco mostrar para o leitor os pontos que esclarecessem; como acontecimentos históricos influenciaram para que o panorama do presente se constituísse da maneira como se apresenta hoje. Tento mostrar como tudo passa pelo desenvolvimento do pensamento que fulmina em linhas filosóficas boas ou ruins. Ocorre que, para que estas linhas filosóficas atinjam o público, é necessário que se faça uso da linguagem. É necessário que as ideias verbalizem-se. É necessário que as palavras que vão externar as ideias sejam selecionadas cuidadosamente. 

 

Em princípio parece meio óbvio dizer que a linguagem é o meio de se transmitir uma linha filosófica porém, se esta linha filosófica possuir objetivos maquiavélicos ou meramente qualquer desconexão com a verdade, a linguagem deixa de ser instrumento natural, para tornar-se ferramenta desta sofisma. 

 

Ao longo dos séculos ocorreram muitas guerras. Porém, ao mesmo tempo, muitos governantes audaciosos e estratégicos usaram o poder da comunicação para persuadir e dissuadir adversários, conquistar adeptos e levar o povo a crer nos argumentos previamente pensados, evitando ou provocando, inclusive, outras guerras, de acordo com seus planos. Uma vez convencido, o povo entrega-se de corpo e espírito, diferenciando-se apenas a finalidade através dos meios, que podem ser até piedosos ou então descaradamente inescrupulosos quando persuadem o público através de infido estado de bem estar material, luxúria, soberba e etc… 

 

É claro que o Santo Evangelho também foi transmitido através do poder da linguagem mas, é aí que está a diferença entre o uso da comunicação para o bem ou para o mal. Este, ao contrário das sofismas, fôra instrumento para que a humanidade alcançasse uma unidade cultural capaz de propiciar haver diplomacia entre os povos e países, com leis justas, reconhecidas e respeitadas mutuamente na maior parte do mundo.

 

A transmissão do Santo Evangelho jamais precisou de ferramentas de linguagem já que está alinhado à verdade natural das coisas. Quando estratégias são baseadas na linguagem como ferramenta, elas servem para o amplo controle dos povos como por exemplo; através do apelo a falsos deuses, pelo medo e a mais recente criação dos arautos do inferno: a inversão cultural provocada por um falso “estado de bem estar social”. 

 

Neste quesito, não é segredo pra ninguém que a União Soviética criou uma verdadeira máquina de propaganda para desinformação onde praticamente todas as notícias eram criadas de acordo com o plano de dominação e nunca de acordo com a verdade da realidade, escondendo suas atrocidades, enaltecendo suas falsas virtudes, anseios e principalmente, caluniando adversários com falsas informações plantadas através de um vasto sistema de espionagem infiltrado.

 

O estado de bem estar social é uma criação vil e impiedosa, porque leva a determinado povo exposto, a pôr-se em determinada confortabilidade capaz de dar-lhe a sensação, também falsa, de segurança de que não lhe faltará alimento, remédio e abrigo. Esta falsa sensação de conforto e comodidade faz com que o homem médio deixe de preparar-se para o pior, baixando sua guarda, seu aspecto físico, intelectual, comportamental e mental. Em suma, decresce o poder de interlocução, empobrece-se o vocabulário e quando faltam palavras, falta-lhe compreensão. Em poucas gerações o empobrecimento linguístico leva este povo a sofrer para requerer a sua liberdade roubada por sequer saber como expressá-la. Com o evento da globalização, esta estratégia foi elevada ao nível de linha de produção, chegando à todos os povos da terra através sempre de agentes altamente interessados em proporcionar mais bem estar social, apresentando-se como protetores dos direitos humanos, dos oprimidos e das minorias. Todas as ideologias usam destas estratégias.

 

Somente o interesse, a curiosidade, a investigação e a busca sincera pela verdade, através da leitura, podem nos livrar das prisões intelectuais e da perda alienante da nossa liberdade. Nenhum truque de linguagem é páreo para uma mente verdadeiramente livre intelectualmente. 

 

Em Cristo entregue a proteção da Virgem Maria.

A VERDADE

Caro leitor, você já se perguntou o que é a verdade? 

 

O uso conceitual desta palavra, ao longo da vida,  define o caráter, o histórico e a grandeza de um homem. 

 

A verdade está no ser de todas as coisas. Portanto, só existe uma verdade possível. Não existem meias verdades, nem mesmo duas verdades. Mesmo que pareça sincera, uma “não verdade” deixa sempre a desejar, se confrontada com a realidade, porque justamente, não se conecta com ela. 

 

Aqui, não cabe a mim definir o que é verdade e como você pode buscá-la, porque homens muito maiores do que eu já o fizeram. Sócrates (470 – 399 aC.), que é o filósofo que criou a ideia da busca pela verdade, diz que a verdade está na essência daquilo que não percebemos, mas que podemos alcançar pelo trabalho do nosso pensamento, e o que o pensamento conhece da verdade a partir da essência da realidade, das ideias e dos valores, chama-se “conceito”. De acordo com Sócrates, conceito diverge de opinião, sendo a verdade possível de ser encontrada, não nas opiniões, porque são variáveis, mas no conceito das coisas, porque o conceito é universal e absoluto. São Tomás de Aquino (1225 – 1274 dC.), considerado o maior filósofo da era Cristã, define a verdade como aquilo que está no “Ser” das coisas, algo que é real, autêntico e possui substância de verdade. 

 

Especialmente hoje, quando se fala regularmente em Fake News (notícias falsas), justamente porque não é a verdade dos fatos que interessa e se busca noticiar, mas visões da realidade que transformam a maneira de seus interlocutores de ver os fatos, de maneira que sejam contemplados os interesses dos mais variados grupos por trás da notícia, é que se tornou vital aprender a conhecer a verdade. E para conhecer a verdade é preciso despir-se de conceitos fáceis e de emoçõe. É preciso usar a razão, abandonar a preguiça e tomar gosto pela leitura, pela investigação, deixando de lado o hábito de ouvir somente a opinião que gostamos, mas também aqueles de quem não gostamos, com sinceridade e humildade. 

 

Na outro artigo também publicado aqui neste espaço, eu dissertava sobre a época de formação acadêmica de Martinho Lutero, o fundador da corrente luterana. Período onde todas as universidades foram tomadas, através do engajamento dos professores, por uma linha filosófica, chamada Nominalismo, que consistia a grosso modo em nominar as coisas de acordo com a sua aparência e não, como deve ser, de acordo com a sua substância. Por exemplo; uma árvore para ser chamada pelo nome “árvore”, deveria ter aquela aparência regular de árvore. Porém, sabemos  que para ser árvore, basta que a planta possua substância de árvore, pouco importando sua aparência. Assim, o nominalismo aplicado à realidade, provocou um sem número de distorções em praticamente todas as áreas de pensamento. Lutero é um exemplo da subversão a que esta ideologia levaria seus adeptos. Ele incorreu em erro, um erro advindo desta corrente filosófica que não comungava da verdade dos fatos, da verdade da realidade, da verdade conceitual e do ser das coisas. O resultado foi a malfadada reforma protestante.

 

Da queda protestante até aqui já se passaram mais de quinhentos anos mas, conceitualmente, ainda não amadurecemos o suficiente a ponto de sermos povo livre das armadilhas ideológicas, ao contrário, estamos submersos num viscoso mar de ideologias, que atendem os mais variados e doentios desejos da nossa matéria ao nosso bel prazer. 

 

A busca genuína, esforçada e sincera pela verdade é a única saída para salvar-nos destes males sempre atuais. Isto requer sacrifício mas, com a ajuda de Deus, venceremos. 

 

E Cristo entregue a proteção da Virgem Maria.